Um site no ar em domínio próprio, desenhado e construído por mim e por uma IA, do primeiro commit ao texto de cada case. Nenhuma decisão foi reconstruída depois: todas foram registradas no dia em que aconteceram.
Eu imaginava que a habilidade nova seria escrever bons pedidos. Não era.
Oito imagens bonitas, reprovadas por uma medida
Quis que o gato da marca atravessasse a tela andando. Pedi as poses para a IA, elas vieram lindas, e a própria IA mediu, aprovou e comemorou.
Eu olhei e disse que continuava errado, sem nenhum número para provar. Na segunda medição, com o alvo certo: numa caminhada real a pata varre de 35% a 45% do corpo por passada, e nas oito imagens o avanço ficava entre 5% e 16%. No tamanho em que o gato aparece no site, isso vira três pixels: eram oito vezes a mesma imagem.
Nada nelas parecia errado, e é esse o ponto. O que separou "bonito" de "funciona" foi escrever o critério de aceite em número antes de encomendar o material.
O verificador não achou nada, e oito critérios falhavam
Passei o site num verificador automático de acessibilidade. Zero violações na Home. A auditoria feita à mão, no mesmo dia, achou dezesseis problemas.
O que exclui alguém de verdade estava todo fora do que uma varredura mede. A área de leitura do case não rolava pelo teclado. O contorno de foco tinha sumido dos cartões, e ele estava escrito certinho no componente: quem apagou foi uma regra do tema escuro, em outro arquivo, dias antes, sem ninguém ver. Depois, conferindo os 55 critérios A e AA da WCAG 2.2 um a um, oito ainda falhavam, e o verificador continuava dando zero em tudo.
As correções vieram com uma regra minha: boa acessibilidade sem matar a personalidade do site. A frase do letreiro de LED era pintada ponto a ponto, e virou texto de verdade com o mesmo desenho, medida contra a versão publicada antes de entrar. O letreiro ganhou pausa, dentro do próprio painel.
Ferramenta verde não é aprovação. Rolar, enxergar onde está o foco, sair de uma janela aberta: isso só aparece usando o site.
Três coisas que nenhuma IA decidiu por mim
Escolher o problema. Quais cases entram, o que cada um precisa provar, o que fica de fora.
Ver o que está errado na tela. O título de um case cortado no meio da palavra. Uma capa que não conversava com a vizinha. Uma afirmação sobre estacionamento que só valia para a foto do exemplo. Nada disso quebra o build.
Responder o que não está em arquivo nenhum. Um dos cases parecia trabalho feito para uma empresa real, e nenhuma leitura do material resolveria a dúvida: só eu sabia que o briefing tinha vindo de um bootcamp. Essa resposta virou a espinha do case inteiro.
Um defeito que nenhum teste pega: o período nunca cedia espaço e engolia o nome do case. Em uma das telas medidas, sobrava um pixel para o título.
A parte que decide não ficou menor
Um case de trabalho já está escrito e vive atrás da porta de senha; o segundo ainda não. E este aqui trata de um projeto que continua acontecendo, então o registro segue aberto.
O que já dá para dizer: a execução acelerou de verdade. A parte que decide se o resultado presta continua sendo minha, e ela não ficou menor. Ficou mais visível.
